Uma rua fala

Uma rua fala

O sol esconde-se transversalmente. Uma casa cresce na vertical. A rua estende-se no horizonte. Caminho pelos mesmos passeios, confiante que há verdades inabaláveis e que este percurso se repetirá amanhã.
É um pensamento ingénuo. Afinal esta rua fala através dos percursos eternamente efémeros de quem a habita, das sombras desenhadas pelas horas, dos reflexos criados pelas superfícies manufaturadas. A rotina importa não pela sua cadência previsível, mas pelo que essa repetição provoca: um olhar farto que repousa sobre diferentes lugares, inquieto, e neles uma voz.
As imagens aqui reunidas resultam dos mesmos percursos repetidos ao longo de 9 anos. São imagens que surgem por acaso, se ainda acreditarmos que os acasos existem. Contam tanto a história das ruas, como a minha. Eu sou Viseu refletido, ou o contrário.

estas estátuas

estas estátuas

Viseu, como muitas outras cidades, está povoada de memórias. A cidade que hoje vivemos é o legado de muitos outros que vieram antes de nós. Alguns, pelos seus grandes feitos, fazem hoje parte da nossa paisagem. São estátuas. Cada estátua é uma pessoa, um artista, uma mensagem. Quis, a cada fotografia, explorar as varias facetas destes “habitantes” de Viseu, misturando o seu retrato com a cidade que habitam.
O resultado é um ensaio fotográfico repleto de histórias. Uma pequena homenagem a quem vezde Viseu e Portugal, como cidade e nação, aquilo que é hoje.

emergir

emergir

Ao longo de doze meses fiz do filme de 35mm objeto rotineiro, omnipresente. Fi-lo para que se tornasse parte da minha rotina e do meu universo, mesmo sendo esse universo pequeno. Ao fim de um ano e centenas de fotografias depois, este ensaio é um desabrochar de imagens inesperado, fruto da minha rotina e desta cidade. Por isso o título: “Emergir”.

Trata-se de um retrato de Viseu construído em dois mil e doze, contado pelas tradições, as aldeias, as casas e as pessoas que por mim se cruzaram.

Livro

A primeira edição (esgotada) desta obra foi publicada pela Medíocre em 2013. Impressa em offset sobre papel de 120gr creme, o pequeno livro tem um toque suave e a paginação dá espaço para as imagens respirarem. O texto, também da minha autoria, completa a viagem que as imagem iniciam.

DIMENSÕES
A5 (210x148mm)

EDIÇÃO
1.ª edição numerada, 50 exemplares
2. edição, 100 exemplares

IMPRESSÃO
Offset em papel munken pure 120gr

DESIGN
Luís Belo

ACABAMENTO
Agrafado

ANO
2013

dentro da caixa negra

dentro da caixa negra

O teatro é uma forma de arte milenar e fotografá-lo é um trabalho delicado e dedicado. Dar espaço para não interferir na cadência de cada cena ao mesmo tempo que se tenta captar a sua essência é um balanço difícil, mas emocionante.
Dentro da Caixa Negra junta imagens de várias peças fotografadas ao longo dos últimos anos e o nome inspira-se no conceito de black box theater, um estilo contemporâneo usado frequentemente nos palcos.