Lamecenses

21 Setembro, 2017fotografia

Em 2017, a Maratona Fotográfica da Fnac levou-nos a passear por Lamego.
Há alguns anos que não participava nesta iniciativa e o formato, embora o nome se mantenha, está drasticamente diferente. Comparando com a primeira edição, em 2009, as vinte e quatro horas a fotografar passaram a oito, não existem temas específicos por cada ponto de encontro e em vez de se explorar a pé a cidade de Viseu, este ano explorou-se a região de Lamego de autocarro. Bom, foi assim para os 95% dos participantes que não optaram por levar o seu próprio carro.

Lamego tem imensa história para partilhar e é com vergonha que confesso desconhecer grande parte dela. No entanto, esta foi uma viagem que ajudou a mitigar essa falha. Ajudou também fazê-la com a Ana e ter a oportunidade de ficar mais alguns minutos em cada um dos locais que visitámos. Quando o autocarro partia para o próximo ponto, nós podíamos experimentar um pouco do sossego rotineiro daqueles sítios em vez do alvoroço de quarenta fotógrafos ansiosos.

Houve muitas fotografias – e as que selecionei para concurso têm pouco a ver com estas -, mas aqui interessa-me partilhar alguns dos retratos que fiz dos lamecenses. A simpatia é a habitual do português, mas ainda me surpreender a coragem de olhar para a câmara. Se eu estivesse do outro lado seria muito diferente.

Em passeio, de passagem – parte 1

28 Janeiro, 2017fotografia

O tempo é algo estranho. Para meu mal a estranheza é causada por algo bem trivial: a falta dele, ou pela percepção de que o tempo é como água quente que escalda ao agarrar-se e evapora pouco depois. Ou talvez não seja nada disso e talvez o tempo seja um lago sereno e tudo isto não passe de uma ilusão minha. É-o certamente.

Este ano passado foi irrequieto. Foi o primeiro ano em que tive uma agenda. Bom, foi o primeiro ano em que tive uma agenda à qual dei uso. Todos os dias: uma missão. Algumas ficaram por cumprir. Pelo meio muitos dos dias preencheram-se de momentos que não estavam escritos. Alguns desses fui fotografando, em passeio, de passagem, porque sim. Depois, essas imagens foram atiradas para pastas digitais e arquivadas, lançadas ao purgatório – tal como filme por revelar.

Hoje vasculhei e organizei C:\fotografia\livre\2016. O que aqui fica é uma pequena parte do meu olhar transeunte e do que emergiu entre a balbúrdia. Assim, de mãos escaldadas, partilho.

O casamento da minha irmã

3 Novembro, 2016fotografia

A minha irmã casou-se. A minha irmã tem vinte e três anos e é uma mulher casada. É um percurso raro que se faz em dois mil e dezasseis. Terminar a escola e ter um emprego, depois um marido. Como irmão deixa-me feliz ter uma irmã com tantas certezas num país que dá pouco espaço a esperanças, numa sociedade tão volátil. A desvantagem é que agora tenho alguém que de dez em dez minutos decide tratar-me por “cunhado”. Vá lá, di-lo de coração bom.

No dia do casamento, em que a igreja ficou de fora e se realizou durante a semana, o sol estava de boa disposição. Houve calor, um bonito anoitecer numa bonita quinta.

Com dezenas de pessoas de máquina na mão e uma empresa contratada para registar o dia, os meus olhos foram desviando-se para outros momentos. Da minha parte não houve tripés em cima do altar, nem drones, nem GoPros, nem rajadas fotográficas. Quis beber o dia e o que ele significava. Procurei limitar as vezes em que segurava na minha pequena câmara, mas não resisti a tirar algumas fotografias. Fotografar é também uma forma de absorver o que me rodeia. Estas são as imagens que fiz desse dia e aqui ficam como um presente à minha irmã e ao meu cunhado.