Em passeio, de passagem – parte 1

28 Janeiro, 2017fotografia

O tempo é algo estranho. Para meu mal a estranheza é causada por algo bem trivial: a falta dele, ou pela percepção de que o tempo é como água quente que escalda ao agarrar-se e evapora pouco depois. Ou talvez não seja nada disso e talvez o tempo seja um lago sereno e tudo isto não passe de uma ilusão minha. É-o certamente.

Este ano passado foi irrequieto. Foi o primeiro ano em que tive uma agenda. Bom, foi o primeiro ano em que tive uma agenda à qual dei uso. Todos os dias: uma missão. Algumas ficaram por cumprir. Pelo meio muitos dos dias preencheram-se de momentos que não estavam escritos. Alguns desses fui fotografando, em passeio, de passagem, porque sim. Depois, essas imagens foram atiradas para pastas digitais e arquivadas, lançadas ao purgatório – tal como filme por revelar.

Hoje vasculhei e organizei C:\fotografia\livre\2016. O que aqui fica é uma pequena parte do meu olhar transeunte e do que emergiu entre a balbúrdia. Assim, de mãos escaldadas, partilho.

O casamento da minha irmã

3 Novembro, 2016fotografia

A minha irmã casou-se. A minha irmã tem vinte e três anos e é uma mulher casada. É um percurso raro que se faz em dois mil e dezasseis. Terminar a escola e ter um emprego, depois um marido. Como irmão deixa-me feliz ter uma irmã com tantas certezas num país que dá pouco espaço a esperanças, numa sociedade tão volátil. A desvantagem é que agora tenho alguém que de dez em dez minutos decide tratar-me por “cunhado”. Vá lá, di-lo de coração bom.

No dia do casamento, em que a igreja ficou de fora e se realizou durante a semana, o sol estava de boa disposição. Houve calor, um bonito anoitecer numa bonita quinta.

Com dezenas de pessoas de máquina na mão e uma empresa contratada para registar o dia, os meus olhos foram desviando-se para outros momentos. Da minha parte não houve tripés em cima do altar, nem drones, nem GoPros, nem rajadas fotográficas. Quis beber o dia e o que ele significava. Procurei limitar as vezes em que segurava na minha pequena câmara, mas não resisti a tirar algumas fotografias. Fotografar é também uma forma de absorver o que me rodeia. Estas são as imagens que fiz desse dia e aqui ficam como um presente à minha irmã e ao meu cunhado.

a Jigsaw no Museu Nacional Grão Vasco

14 Outubro, 2016aconteceu, fotografia, música

Faz hoje oito dias que recebia uma chamada do Jorri, uma das metades dos a Jigsaw. Entre algumas interferências escutou-se uma pergunta, “Queres almoçar?”. Quem não quer?

Dali por algumas horas ele é o João Rui estariam no Museu Nacional Grão Vasco para um pequeno concerto durante a Abertura do Ano Judicial celebrada pela Delegação de Viseu da Ordem dos advogados.
Enquanto a hora não chegava colocou-se a conversa em dia. Desde os planos para a próxima obra a publicar, o que significa o bitrate e os hertz nos ficheiros .wav, até à vida difícil que era ser pescador na Noruega. Falou-se como velhos amigos que se vêm todos os dias, não se vendo há anos.

Quando o concerto começou, embora nem todos os ouvidos escutassem, a emoção com que a música brotava era arrepiantemente sincera. As melodias continuam envolventes e é difícil escapar ao encanto da guitarra, do banjo, do piano e da melódica tal como tocada por eles.
Eu por outro lado, ainda ouço melhor atrás de uma câmara fotográfica. Este é um pequeno registo feito durante aquela tarde. Bela tarde. Como nem tudo é bom, saí de lá com uma constipação.

E porque não escutar?

Como nem todas as fotografias cantam, estas são duas das músicas do mais recente álbum da banda No True Magic. Já é o quarto disco de originais no meio de uma meio cheia de EPs e outras canções únicas. Descubram o trabalho deles, não é sempre que boa gente faz boas coisas, mas estes dois (e aqueles que os acompanham nos discos) são afortunados.