Materiais do Desenho, uma exposição

29 Março, 2018design gráfico

Todos os anos, ao visitar a estufa do Chão das Artes – Jardim Botânico da Casa da Cerca, em Almada -, irão deparar-se com uma exposição diferente. Desde da sua génese que este espaço procura explorar a ligação entre as artes plásticas e natureza. Fá-lo descontruíndo uma obra e olhando além do seu produto final. Foca-se essencialmente nos materiais utilizados e de como estes influenciam e moldam a própria técnica.

Lá, os visitantes são convidados a conhecer o jardim e as várias aplicações artísticas dessas plantas. Mostra-se a origem da tinta-da-china ou as diferentes utilizações do bambu. Explica-se um pouco da tela e de como as fibras da Cannabis sativa L.  fazem parte da sua constituição. Ou de como da videira se podem extrair as cores roseta, vermelhão e até preto.

Aprender-se um pouco por todo o jardim, no entanto, boa parte desta informação está condensada na Estufa para a qual este ano eu fui convidado a organizar graficamente esta informação. O resultado são doze painéis com cerca de dois metros cada um. Tons claros para o fundo, grafia legível, bilíngue e dezenas de imagens cuidadosamente escolhidas contribuíram para o resultado final que se quer, sobretudo, acessível e informativo. Sem complicações.

Uma nota de apreço para a equipa que gere este espaço, pela liberdade que dão à criação não só dos artistas que acolhem, mas pelo respeito demonstrado por todas as fases criativas, incluindo o design. Obrigado.

Lamecenses

21 Setembro, 2017fotografia

Em 2017, a Maratona Fotográfica da Fnac levou-nos a passear por Lamego.
Há alguns anos que não participava nesta iniciativa e o formato, embora o nome se mantenha, está drasticamente diferente. Comparando com a primeira edição, em 2009, as vinte e quatro horas a fotografar passaram a oito, não existem temas específicos por cada ponto de encontro e em vez de se explorar a pé a cidade de Viseu, este ano explorou-se a região de Lamego de autocarro. Bom, foi assim para os 95% dos participantes que não optaram por levar o seu próprio carro.

Lamego tem imensa história para partilhar e é com vergonha que confesso desconhecer grande parte dela. No entanto, esta foi uma viagem que ajudou a mitigar essa falha. Ajudou também fazê-la com a Ana e ter a oportunidade de ficar mais alguns minutos em cada um dos locais que visitámos. Quando o autocarro partia para o próximo ponto, nós podíamos experimentar um pouco do sossego rotineiro daqueles sítios em vez do alvoroço de quarenta fotógrafos ansiosos.

Houve muitas fotografias – e as que selecionei para concurso têm pouco a ver com estas -, mas aqui interessa-me partilhar alguns dos retratos que fiz dos lamecenses. A simpatia é a habitual do português, mas ainda me surpreender a coragem de olhar para a câmara. Se eu estivesse do outro lado seria muito diferente.