in vulgar: uma exposição de fotografia

A visitar na Casa do Tempo, Praça D. Duarte, entre 17 e 22 de Julho.

Um ano. Os dias seguem numa sequência tacitamente previsível. Amanhece, sol, chuva, anoitece. Os dias caem em cadência regular, vive-se. Não menos, nem mais. É presente e naquele momento existe-se tanto como em qualquer outro. É um dia vulgar. Todos os dias são vulgares se repetidos vezes suficientes, mas para olhos novos serão sempre surpreendentes. E se acordar com novos olhos todos os dias?

    Durante um ano o auxílio aos meus olhos foi uma película fotográfica de 35mm, ora a cores, ora sem elas. Durante todo esse tempo, foi a gaveta mais funda do meu quarto que arquivou os registos sem qualquer emulsão. Os dias contaram meses e por cada fotografia esquecia-se um pouco da anterior. O tempo dilui tudo. Os meus dias contaram um ano surpreendentemente vulgar. Naturalmente esquecido.

    Findo o ano, era chegada a altura de revelar todas as suas fotografias. 511.

   Assim, como se caísse ao poço, afogava-me novamente em cada momento de cada dia, sentia-se o cheiro, o toque, as canções. Fintei o tempo. É afinal tudo isto que há na vulgaridade dos meus dias.


    "in vulgar" é a obra que surge depois. Não foi planeada para ser o que se tornou, mas nasceu de si mesma: as fotografias, as ligações furtuitas entre elas, os amigos, os conhecidos, os alguéns, a normalidade, a rotina - a minha, não a de outros. Juntas, as imagens formam um emaranhado transitável onde se partilha uma parte íntima do que os meus olhos viram. Os meus olhos são vulgares.



Luís Belo


"in vulgar" é uma exposição composta por 167 fotografias. Uma selecção das 18 películas reveladas e que pode ser vista na Casa do Tempo, nos Jardins Éfemeros, entre 17 e 22 de Julho. Esta é uma pequeníssima mostra.








luís belo

Nasceu na terra de João Torto, em Viseu, 1987. Cresceu a desenhar. Levou palmadas nas mãos por usar as paredes da casa como telas. Foi para a escola. Aprendeu a desenhar em papel. E em madeira. E nas paredes. A fotografia cresceu com o mesmo entusiamo, primeiro a digital, depois a analógica. Mais tarde licenciou-se. Actualmente, ilustra, fotografa, filma e inventa.


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