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Cidade Nenhuma

cidade nenhuma

 

As Fotografias

A cidade que aqui se representa não tem nome, ou melhor, tem nome, mas é como se não o tivesse. Esta cidade é Viseu, mas é como se não o fosse. Esta cidade que é aquela onde vivo é também uma cidade que cresceu para cima e para os lados e aos poucos tornou-se cidade como todas as outras, e todas as outras são como esta.

Estas fotografias representam uma cidade, não necessariamente aquela que captam. Mostram, de forma quase clínica, a sua beleza, frieza e simetria. A ausência do ser humano em desprimor do betão. Um céu nublado em vez de um sol emocional.

 

A publicação

Cidade Nenhuma é o segundo livro de fotografia de Luís Belo. Depois de Emergir, um registo saudosista, que acompanhou com poesia escrita por si, nesta nova publicação continuam a existir palavras a acompanhar as imagens, mas é Bruno Ministro que lhes dá forma, e fá-lo com particular destreza. Num registo experimental, com a linguagem verbal a ser explorada sob diversas perspectivas, o texto não se limita a acompanhar o leitor na descodificação das fotografias. O jogo de produção de significado é baralhado ao fornecer linhas diversas e divergentes para a leitura das imagens e das próprias palavras. Se as fotografias podiam existir neste livro sem os poemas e se os poemas podiam existir neste livro sem as fotografias, a verdade é que não é isso que acontece: a palavra existe junto da imagem e a imagem junto da palavra. E é nessa comunhão e/ou confronto que a leitura se tece.