"Manuel como os outros" trata-se de uma curta-metragem-experiência e acontece por oportunidade: o conceito na altura certa de Ana Seia de Matos, a disponibilidade e voz do seu pai, dois dias de sol: um texto, as filmagens, a edição e os instrumentos. Acontece por oportunidade, mas não sem querer. Outras se seguirão, aprendendo com os erros das anteriores.
Entre 8 de Março e 1 de Abril está no Teatro Nacional D. Maria II uma exposição colectiva, onde tenho a oportunidade de participar com duas obras, sobre João Torto: o barbeiro cirurgião e escritor de cartas de amor que no séc. XVI criou as suas próprias asas e voou. Isto acontece graças ao trabalho da Magnólia Teatro que durante esse periodo terá em exibição a peça "João Torto".
O convite começou há cerca de um ano atrás ainda a Viseupédia era um esboço: um cromo com imagem de um artista convidado na frente e no verso o texto de um especialista subordinada àquele tema, para ser editado mensalmente, com temas diferentes. Foi isso que desenhei e em Janeiro do ano passado lançou-se o 1º número. Um ano depois e com o sucesso da colecção, lançou-se agora, 31 de Jan. de 2012 no Museu dos Transportes e Comunicações, o 1º número da série Portugalpédia - Porto. O conceito exportou-se e como Coordenador Gráfico tive oportunidade criar toda a imagem envolvente: página online, cartaz e layout do cromo, dando continuidade ao que vem sendo feito, mas tentando melhorar sempre um pouco.
A minha primeira máquina aquando da revolução digital e foi a primeira lá de casa que não exigia rolos. Era um admirável mundo novo este que me dava a oportunidade de explorar, em sequências de 33 fotogramas, motivos que não se cingiam aos retratos da família em férias. Assim o fiz. Durante alguns anos explorei várias perspectivas e processos, mas só mais tarde me apercebi da verdadeira importância da fotografia.
Quase como uma espécie de epifania, a minha verdade estivera sempre próxima, ali, nos retratos de família. À distância de meia vida, olhar para aquelas imagens era olhar para a memória perpetuada. Já ninguém era assim, e no entanto ali estávamos, juntos. Na praia. Enquanto olhava podia ser inverno, mas o que sentia era verão. A brisa, o cheiro a salitre e pele áspera. Encantou-me.
Hoje acredito na fragilidade da fotografia e que deve ser manuseada com cuidado. Aprendi os processos digital e manual e procurei melhores formas de captar não apenas o momento, mas aquilo que eu quero mostrar dentro dele. Procuro ainda. É a partir dessa crença que o resto do meu trabalho se expande nas várias vertentes. Conheça mais da minha fotografia no meu flickr.
O desenho surge desde muito cedo. Para mim tudo era desculpa para pintar e tudo era suporte. Chão, paredes, folhas. Comecei a pegar num lápis antes de me ensinarem a pegar no lápis, o que me iria valer muitos sermões na escola primária, "Não estás a fazer como deve ser!".
A primeira classe ocupava-me as manhãs, mas não as tardes que ficavam livres para brincar. Brincar significava muitas vezes desenhar e em casa de um amigo recordo-me de desenharmos dinossauros. Lagartos gigantes, por assim dizer. Lembro-me de regressar a casa - que fica a 3 minutos - cheio de orgulho do resultado e de o mostrar à minha mãe, e lembro-me do ar apreensivo da minha mãe. "Foste mesmo tu?", perguntava. A estranheza foi de tal modo grande que só ao fim de um telefonema para o outro lado da rua a história se confirmou. Fui mostrar o desenho ao meu pai, gosto muito. Por fim, colei-o na porta do meu quarto com super-cola três. Má ideia.
Cresci sem dúvidas acerca do que queria fazer. Queria pintar. Eu quero pintar e tenho-o feito desde sempre, tentando aprimorar a técnica para corresponder às minhas próprias expectativas que, perfeccionista, nem sempre alcanço. Esta é uma amostra do meu trabalho, mais se pode encontrar na Behance Network.
A minha afinidade à imagem sempre foi grande. Passar a querer organizá-la, entendê-la, dispô-la da melhor maneira foi uma questão de tempo.
A formação académica aprimorou alguns conhecimentos e ajudou a distinguir matérias. Desde então, tem crescido o interesse pelo grafismo e no que à sua estrutura e organização diz respeito. Atraiem-me todas as nuances que, permanecendo invisíveis, sustentam o resultado final. Tenho aplicado esse conhecimento nos mais diversos formatos e tive a oportunidade de construir livros e criar linhas gráficas completas, seja para espectáculos, ou outros projectos. O percurso é ainda curto, mas até há data não me parece que não existam respostas certas, apenas possibilidades mais seguras que outras. É preciso saber errar, design procura a melhor solução para um problema, mas raramente se alcança sem solavancos. Dificilmente se alcança de todo, é necessária presistência.
Recentemente, com atenção quase obsessiva a cada detalhe, descobri a tipografia. É um novo fascínio. A personalidade que cada tipo de letra, apenas o seu símbolo, sem qualquer mensagem, pode ter, é incrível. Familiarizei-me com a linguagem e os seus conceitos já não passam em claro. Mais terá a dar esta paixão, por agora mais há na Behance Network.
24 fotografias por segundo era mais do que razão suficiente para experimentar com filme, mas há no movimento da película muito mais a explorar. A narrativa assume um protagonismo essencial e se o que me atraiu na fotografia foi a possibilidade de guardar momentos que nunca se voltarão a repetir, no vídeo existe a possibilidade de criar novos cenários e histórias. As possibilidades são infinitas e não há dedos que contem as diferentes correntes que surgiram no último século. Da minha parte o filme ainda é 98% mistério, mas de algo não tenho dúvidas: é a melhor ferramenta para guardar a nossa memória, seja ela pessoal ou colectiva. Foi com essa certeza e vontade que me aproximei de um registo de documentário como na Tipografia Minerva da Beira, e espero continuar a fazê-lo.
Enquanto uma parte do vídeo se faz de registos e montagem, outra são portas abertas à criatividade e daí resultaram algumas animações ou stop-motions. No vídeo à direita, uma produção para o cantautor do projecto At Freddy's House, resulta numa extensão da sua própria letra. Para mais recomendo uma visita ao meu vimeo.
O Musiquim é um projecto criado para divulgar, essencialmente mas não exclusivamente, a música portuguesa. Inspirado em conceitos como a La Blogotheque ou Black Cab Sessions, leva as bandas para fora dos palcos mostrando-as a uma luz diferente ao tocarem em sítios improváveis (desde jardins a casas-de-banho e carrosséis, etc.), com todas as condicionantes que isso implica, e sem qualquer anúncio. O resultado é filmado e disponibilizado em musiquim.com.
Este projecto de valorização do património local, conta já com a participação de nomes como Dead Combo, Nuno Prata, Camané, entre outros.
A Medíocre, como marca e como coisa, nasce de uma necessidade de experimentação e de uma intenção clara de criar produtos/objectos para venda ao público. Sem um carácter específico, actua na área da imagem, mas expande-se para lá dela em diversos formatos, indo de simples marcadores de livros à reciclagem de frascos de ecoline para peças decorativas sob o tema de cantautores. A qualidade e originalidade são um objectivo – assumindo assim o antagonismo do próprio nome. Este é um projecto pessoal que se inspira no quotidiano, nos seus objectos e vivências, para criar algo diferente.
A Viseupédia, onde tenho a oportunidade de trabalhar como coordenador gráfico, é de uma edição de fichas/cromos coleccionáveis, com periodicidade mensal, versando temáticas de índole cultural e/ou natural, relativas ao Património do Distrito de Viseu. Cada ficha / cromo contém um texto original e uma criação gráfica, igualmente original sobre o tema em causa. Deste modo, a Viseupédia pretende a valorização do Património cultural e/ou natural da área de abrangência e uma divulgação do potencial humano existente e a desenvolver o seu trabalho sobre/na região de incidência.
"Escreve uma biografia", penso. O ano em que nasci. 1987. Dizer 1987 é pouco, as biografias que conheço são sempre pouco. Deixe-me por isso, leitor, que me lance num exercício com real significado, que a importância é subjectiva, e as biografias são-no ainda mais.
Aos seis anos aprendi que não é boa ideia matar abelhas com as mãos, picam, e de mão inchada não é fácil desenhar, uma das minhas paixões de sempre. O fascínio pelos rabiscos e ilustração cedo ganhou destaque, fosse pelos concursos que ia vencendo - o boné do Dragonball foi o meu orgulho de infância - fosse por parte dos meus pais, que muitas palmadas me deram depois de riscar uma paisagem na porta de um carro. Foi assim, cresci sem qualquer dúvida do que queria.
Anos passaram. Aos traços juntou-se a descoberta da música, não aquela que vinha do quintal do vizinho, mas aquela que me arrebatava o peito. Depois a fotografia. Mais tarde a poesia, que mais parecia parte de tudo aquilo junto. Foi a descoberta dos sentidos. É ainda. Seguiu-se a sua afinação. Estudos, novas técnicas, outros olhares, mais olhares, melhores técnicas e novos fascínios. A fotografia não tem que ser fixa: vinte e quatro por segundo, um filme. Os traços podem ser livres, mas tratados com consciência são outra coisa diferente. Dizer quem sou é dizer muita coisa ou não dizer nada. Digo 1987.
2010-2011
- V ViseuSkecthCrawl - Participação com uma ilustração na Fnac Viseu
- Exposição Andante II - Participação com duas obras, Rua Direita, Viseu;
- Exposição MTV Toy - Participação com um Toy, entre Fev. e Jul. de 2011 nos Fóruns de Almada, Montijo, Guimarães, Viseu, Coimbra, Aveiro, Algarve, Sintra, Madeira, no Espaço Guimarães e nos Armazéns do Chiado.
- Encontro Fotográfico - Participação com duas obras seleccionadas, ESE Viseu.
- Exposição Seres Vivos - Participação com três fotografias, Lugar do Capitão, Viseu.
- Exposição Andante - Em 10 lojas da Rua Direita, Viseu;
- Rotina - Casa da Cultura de Sta Comba Dão;
- Visitas em Casa - Participação com 3 peças, na Empório, Viseu;
- A Expressão - Puro Café, Viseu;
- Vem Viajar Comigo - Auditório Vila Nova de Paiva;
- Rugas - Lugar do Capitão, Viseu;
- Uma Forma Para Voar - Puro Café, Viseu;
- Poesia 24 - Estúdio de Artes Contemporâneas Pauta Humana, Águeda.
2008-2009
- Ensaio Sobre um Afecto - Escola Superior de Tecnologia de Viseu;
- Incêndio II - Casa da Cultura de Sta Comba Dão;
- Incêndio II - Puro Café, Viseu;
- Raízes Constantes - Fnac Viseu, Viseu;
- Vem Viajar Comigo - Biblioteca Municipal de Castro Daire, Castro Daire;
- Colectiva da Primavera - Participação com 3 peças, na cooperativa cultural "A Filantrópica", Póvoa de Varzim;
- Incêndio II - Foyer da aula magna, Instituto Superior Politécnico, Viseu.
- Neblina - Puro Café, Viseu;
- Estrela de Jardim - Escola Superior de Tecnologia, Viseu;
- Exposição de fotografia anexa à peça de teatro Luar 21 - Instituto Piaget, Viseu;
- Ilustração - Internato Vitor Fontes, Viseu;
- Incêndio - Obviamente Bar, Viseu.
2003-2007
- Vem Viver Comigo para o Fundo do Mar - Escola Superior de Educação de Lamego, Lamego;
- Pintura - Internato Vitor Fontes, Viseu;
- Meia Noite e Vinte e Cinco - Escola Superior de Tecnologia, Viseu;
- Desenho e Pintura - Hospital S. Teotónio, Viseu.
- Exposição de obras no Teatro Viriato de Viseu por dois 2 anos consecutivos, no âmbito da disciplina de Oficina de Artes.
Acede ao meu curriculum vitae:
português (pt)
Nomeio abaixo alguns prémios e outras actividades importantes que alcancei até hoje:
- Melhor na categoria de Documentário no VistaCurta 2011, com Tipografia Minerva da Beira.
- Eleito para colorir o MTV Toy pelo Fórum Viseu;
- Vencedor na categoria de Animação e Prémio do Público no Festival VistaCurta com a curta 765/60 Viseu;
- Júri na edição da Maratona Fotográfica Fnac Viseu 2010;
- 1º Lugar na Maratona Fotográfica Fnac Viseu 2009;
- 1º Lugar no Concurso de Fotografia Viseu Patrimonium'09;
- 1º Lugar no Concurso Nacional de Webdesign promovido pelo Jornal Magazine sedeado em Castelo Branco;
- Prémio de Melhor Aluno da CGD em 2008;
Ao longo do meu percurso profissional já me foi dada a possibilidade de trabalhar com algumas empresas e entidades, a saber: Projecto Património; Zunzum, Cineclube Viseu, Amarelo Silvestre, A Jigsaw, Fnac Viseu, Clínica Dr. João Pedro Assunção, Fórum Viseu, At Freddy's House, MTV, Pampero Fundación, Biblioteca de Castro Daire, Azevedo Silva, entre outros.
Qual teia de aranha, a minha presença estende-se por algumas redes sociais, onde de alguma forma participo e procuro estar activo. Faz-se a lista, mas sobretudo o convite a uma visita.
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— Ó Luís, o que é que tu fizeste? — questionava a voz profunda sabendo já a resposta — Achas bonito? Achas?! — o tom repreensivo não agourava nada de bom. A criança permanecia quieta. Deixara cair a pedra que tinha na mão e fixava os olhos nela, encolhido. A voz continuava:
— Olha-
-me para este serviço. Dá cá a mão! — A criança não dava — Dá a mão ao pai, já! — a criança estendeu a mão receosa. Zás! Sem tempo para esboçar reacção já um valente estalo rompia o ar. A mão latejou por mais alguns minutos, mas a lição estava dada. Desde aquele dia que eu, gaiato e rapaz, não voltei a desenhar num carro.